ALPES ANTÁRTICOS
CULTURA ESPACIAL
MISTÉRIOS NO GELO
Cresce mistério dos ‘Alpes’ antárticos invisíveis
A existência de uma enorme cadeia de montanhas antárticas ocultas por quilômetros de gelo se tornou um mistério ainda maior, segundo um novo estudo. As pouco estudadas montanhas Gamburtsev parecem desafiar os padrões geológicos encontrados em outras cadeias montanhosas do planeta.

Ao lado: A cadeia se situa no meio do continente e não à sua margem - no encontro das placas tectônicas- como a maioria das montanhas.
Primeiro, a cadeia se situa no meio do continente e não à sua margem -no encontro das placas tectônicas - como a maioria das montanhas. Os picos da cadeia passam de 3.000 metros - altitudes típicas de cadeias relativamente jovens, como as pontiagudas Rochosas e os Alpes Europeus.
Novas descobertas baseadas em sedimentos fluviais, que sugerem que a cadeia tem mais de 500 milhões de anos, são intrigantes, dizem os especialistas. Acredita-se que montanhas mais antigas, como as Apalaches do leste americano, tendem a diminuir e a perder a irregularidade após centenas de milhões de anos de erosão.
Pelo fato da cadeia Gamburtsev ser alta, alguns cientistas argumentam que ela deve ter se formado recentemente - nos últimos 60 milhões de anos. E por ela não estar localizada próxima do encontro de placas tectônicas, alguns sugerem que a cadeia pode ter surgido como resultado do acúmulo de magma ao redor de um possível ponto vulcânico.
“A hipótese de que as montanhas surgiram da atividade de um jovem vulcão é de difícil conciliação com nossos dados”, disse a coordenadora do estudo Tina van de Flierdt, da Faculdade Imperial London.
Cientistas examinaram os sedimentos coletados de uma área costeira do que costumava ser um vasto delta há 35 milhões de anos, quando nos rios da Antártida fluía água ao invés de gelo.
Se as montanhas foram formadas por material vulcânico relativamente recente, um pouco dos sedimentos da cadeia Gamburtsey deveria estar no delta. Ao invés disso, todos os grãos minerais datados pelos pesquisadores - como zirconita e hornblenda - tinham mais de 500 milhões de anos.
“Uma atividade vulcânica dessa extensão, suficiente para formar uma cadeia maior que os Alpes europeus, deixaria uma ‘assinatura geoquímica’, com sedimentos pré-glaciais e mais recentes “mas simplesmente não encontramos essa assinatura,” disse Tina van de Flierdt.
O estudo, baseado em parte nos trabalhos de Tina na Universidade de Columbia, foi publicado online no periódico Geophysical Research Letters.
Um outro mistério, de acordo com a co-autora do estudo, Sidney Hemming, é por que as montanhas erodiram tão pouco.
“Os novos dados que coletamos mostram que as taxas de erosão parecem ser extremamente baixas,” afirmou a geoquímica da Universidade de Columbia. Hemming alertou que os pesquisadores não podem ter certeza se os sedimentos são da montanha.
É possível, acrescentou, que o gelo tenha ajudado a manter as rochas no lugar, mas isso não explica a falta de erosão de períodos mais antigos, quando o gelo não estava lá.
“Podemos dizer que elas ou não são de formação vulcânica ou foram formadas já cobertas pelo gelo,” afirmou Hemming. Segundo ela, no entanto, formação póstuma é altamente improvável: “É difícil imaginar que isso não deixaria alguma evidência no gelo ou sedimentos.”
O estudo fortalece a teoria de que as montanhas não foram formadas por atividade vulcânica recente, segundo o geoquímico da Universidade do Arizona, Peter Reiners, que não esteve envolvido com a pesquisa.

“Se essas montanhas tiverem mais ou menos a mesma idade das rochas, então a cadeia Gamburtsey está sugerindo que uma topografia realmente antiga pode persistir por centenas de milhões de anos sem se desgastar pela água, vento e geleiras,” disse Reiners, que também estuda o assunto.
Norm Sleep, geofísico da Universidade de Standford que estuda as montanhas Gamburtsey, mas não participou do estudo, concorda com os dados, mas não com a interpretação. Sleep conta inquieto que “uma cadeia de 550 milhões de anos já estaria erodida”.
Ao invés disso, ele sugere que um punhado de material leve e pegajoso teria formado um lago bem abaixo da fresca camada de rocha exterior da Terra. Isso teria feito as montanhas levantarem sem despejar magma sobre a superfície. Segundo o estudioso, isso pode ter acontecido nos últimos 50 milhões de anos. Fonte: Terra Brasil.
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Tags: 'Alpes' antárticos, cadeia de montanhas antárticas, Mistérios no Gelo, montanhas Gamburtsev
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